Higiene Ocupacional

Riscos Ocupacionais

Riscos Ergonômicos

Estes riscos são contrários às técnicas de ergonomia, que propõem que os ambientes de trabalho se adaptem ao homem, proporcionando bem-estar físico e psicológico.

Os riscos ergonômicos estão ligados também a fatores externos (do ambiente) e internos (do plano emocional), em síntese, quando há disfunção entre o indivíduo e seu posto de trabalho.

Alguns exemplos:

- LER (lesões por esforços repetitivos) / DORT (doenças osteo-musculares relacionadas ao trabalho);

- Peso e postura incompatíveis com o biotipo e tarefa, respectivamente;

- Jornada (duração, ritmo, turno e controle rígido);

- Mobiliário incompatível, ausente ou desnecessário, no trabalho;

- Estresse provocado por causas imediatas ou distantes.

Riscos de acidentes

Os riscos de acidentes ocorrem em função das condições físicas (do ambiente físico e do processo de trabalho) e tecnológicas, impróprias, capazes de provocar lesões à integridade física do trabalhador.

Exemplos:

- Arranjo físico inadequado;

- Piso escorregadio;

- Máquinas e equipamentos sem proteção;

- Ferramentas inadequadas ou defeituosas;

- Iluminação inadequada;

- Ligações elétricas deficientes;

- Armazenamento inadequado;

- Probabilidade de incêndio ou explosão;

- Animais peçonhentos (cobra, aranha, escorpião, barbeiro).

Riscos Biológicos

Os riscos biológicos são decorrentes da exposição a agentes dos reinos animal e vegetal e de microrganismo e de seus subprodutos. Entre os agentes de risco biológicos podemos citar como mais importantes: bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros.

A exposição ocupacional a agentes biológicos decorre da presença desses agentes no ambiente de trabalho, podendo-se distinguir duas categorias de exposição:

1. Exposição derivada da atividade laboral que implique a utilização ou manipulação do agente biológico, que constitui o objeto principal do trabalho.

2. Exposição que decorre da atividade laboral sem que essa implique na manipulação direta deliberada do agente biológico como objeto principal do trabalho.

Dentre inúmeras doenças profissionais causadas por agentes biológicos, incluem-se, por exemplo: a tuberculose, o tétano, a malária, a febre tifóide e a febre amarela.

Tais doenças só devem ser consideradas profissionais, quando estiverem diretamente relacionadas com exposições ocupacionais aos microorganismos patológicos, isto é, quando causadas diretamente pelas condições de trabalho.

Os trabalhadores de certos setores enfrentam um perigo mais elevado de exposição a agentes biológicos nocivos:

- Cuidados de saúde

- Agricultura

- Serviços veterinários

- Limpeza e manutenção

- Gestão de resíduos e esgotos

- Jardinagem

- Trabalho laboratorial

Riscos Físicos

Os riscos físicos são efeitos gerados por máquinas, equipamentos e condições físicas, características do local de trabalho que podem causar prejuízos à saúde do trabalhador.

Os riscos físicos se caracterizam por:

- Exigirem um meio de transmissão (em geral o ar) para propagarem sua nocividade.

- Agirem mesmo sobre pessoas que não tem contato direto com a fonte do risco.

- Em geral ocasiona lesões crônicas, mediatas.

Consequências da exposição à:

- Ruído: Cansaço, irritação, dores de cabeça, diminuição da audição, aumento da pressão arterial, problemas do aparelho digestivo, taquicardia e perigo de infarto.

- Vibrações: Cansaço, irritação, dores nos membros, dores na coluna, doença do movimento, artrite, problemas digestivos, lesões ósseas, lesões dos tecidos moles, lesões circulatórias, etc.

- Calor: Taquicardia, aumento de pulsação, cansaço, irritação, intermação (afecção orgânica produzida pelo calor), prostração térmica, choque térmico, fadiga térmica perturbações das funções digestivas, hipertensão, etc.

- Frio: Fenômenos vasculares periféricos, doenças do aparelho respiratório, queimaduras pelo frio.

- Umidade: Doenças do aparelho respiratório, quedas, doenças na pele, doenças circulatórias.

- Radiações Ionizantes: Alterações celulares, câncer, fadiga, problemas visuais, acidentes de trabalho.

- Radiações Não Ionizantes: Queimaduras, lesões nos olhos, na pele e nos outros órgãos.

Riscos Químicos

O risco químico é a probabilidade de sofrer agravo a que determinado indivíduo está exposto ao manipular produtos químicos que podem causar-lhe danos físicos ou prejudicar lhe a saúde.

Consideram-se agentes de risco químico as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo do trabalhador principalmente pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos gases, neblinas, nevoas ou vapores, ou pela natureza da atividade, de exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão.

Os agentes químicos podem apresentar-se nos diversos estados físicos nos ambientes de trabalho, e durante os processos podem sofrer mudanças. A possibilidade de uma substância química entrar no organismo está associado ao seu estado físico.

Danos físicos e danos à saúde

Os danos físicos relacionados à exposição química incluem, desde irritação na pele e olhos, passando por queimaduras leves, indo até aqueles de maior severidade, causados por incêndio ou explosão. Os danos à saúde podem advir de exposição de curta e/ou longa duração, relacionadas ao contato de produtos químicos tóxicos com a pele e olhos, bem como a inalação de seus vapores, resultando em doenças respiratórias crônicas, doenças do sistema nervoso, doenças nos rins e fígado, e até mesmo alguns tipos de câncer.

Os principais efeitos causados pelas substâncias químicas

- Efeitos irritantes: são causados, por exemplo, por ácido clorídrico, ácido sulfúrico, amônia, soda cáustica, cloro, que provocam irritação das vias aéreas superiores.

- Efeitos asfixiantes: são causados, por exemplo, por gases como hidrogênio, nitrogênio, hélio, metano, acetileno, dióxido de carbono, monóxido de carbono e outros causam dor de cabeça, náuseas, sonolência, convulsões, coma e até a morte.

Efeitos anestésicos: a maioria dos solventes orgânicos assim como o butano, propano, aldeídos, acetona, cloreto de carbono, benzeno, xileno, alcoóis, tolueno, tem ação depressiva sobre o sistema nervoso central, provocando danos aos diversos órgãos. O benzeno especialmente é responsável por danos ao sistema formador do sangue.

Poeiras minerais: provêm de diversos minerais, como sílica, asbesto, carvão mineral, e provocam silicose (quartzo), asbestose (asbesto), pneumoconioses (ex.: carvão mineral, minerais em geral).

Poeiras vegetais: são produzidas pelo tratamento industrial, por exemplo, de bagaço de cana-de-açúcar e de algodão, que causam bagaçose e bissinose, respectivamente.

Poeiras alcalinas: provêm em especial do calcário, causando doenças pulmonares obstrutivas crônicas, como enfisema pulmonar.

Poeiras incômodas: podem interagir com outros agentes agressivos presentes no ambiente de trabalho, tornando-os mais nocivos à saúde.

Fumos metálicos: provenientes do uso industrial de metais, como chumbo, manganês, ferro, etc., causando doença pulmonar obstrutiva crônica, febre de fumos metálicos, intoxicações específicas, de acordo com o metal.